Mulheres na Mineração de Agregados
.......Historicamente associada a um ambiente predominantemente masculino, a mineração de agregados — tem vivenciado, nos últimos anos, um movimento consistente de transformação. A crescente presença feminina em funções técnicas, institucionais e de liderança evidência não apenas uma mudança cultural, mas também uma evolução estratégica do setor, que passa a incorporar novas perspectivas, competências e formas de gestão.
.......Nesse contexto, a trajetória de Sandra Maia de Oliveira, bióloga e engenheira agrônoma, atual Diretora de ESG e Pessoas do Grupo AB Areias e Assessora Técnica do SINDAREIA, ilustra esse processo de transformação. Com atuação consolidada em entidades como COMIN e ANEPAC, Sandra construiu sua carreira de forma gradual, pautada na consistência técnica e no engajamento institucional.
.......“Foi uma construção gradual. Desde o início, tive uma atuação muito próxima das questões técnicas e do dia a dia do setor, o que me deu base para participar das discussões com mais segurança”. Segundo ela, a presença constante nas pautas relevantes e o relacionamento com diferentes atores foram determinantes para a conquista de espaço em um ambiente historicamente desafiador.
.......Entre os principais obstáculos enfrentados, Sandra destaca o reconhecimento inicial como voz técnica.
.......Com o tempo, contudo, o foco se desloca para a qualidade das contribuições, independentemente de gênero. A atuação em entidades de classe, como SINDAREIA, COMIN e ANEPAC, também se mostra essencial para o fortalecimento do setor e para a promoção de um ambiente mais diverso. “As entidades têm um papel importante de induzir esse movimento. Ao abrir espaço para diferentes perfis participarem de grupos técnicos, comissões e fóruns de decisão, elas ajudam a tornar a diversidade algo concreto. A visibilidade de mulheres atuando nesses espaços também contribui para inspirar novas trajetórias femininas dentro do setor”, destaca Sandra. Esse movimento já apresenta resultados perceptíveis.
......."Hoje já vemos mais mulheres participando ativamente das discussões do setor. Ainda precisamos evoluir na presença feminina em operações e em posições de liderança direta nas empresas. Esse é um movimento que tende a crescer nos próximos anos”, acrescenta.
Avanços e Governança
.......A presença feminina na mineração de agregados também se fortalece nas áreas jurídicas e de governança. Patrícia Bueno Moreira, Vice-Presidente Jurídica e Diretora de Compliance do Grupo Agis, ressalta que a consolidação de estruturas de compliance tem sido determinante para a maturidade do setor.
.......Ao refletir sobre sua trajetória, Patrícia evidencia os desafios enfrentados e a importância da resiliência e da preparação técnica. Para ela, o setor mineral vive um momento de transformação relevante: “Eu acredito profundamente que o setor mineral é de importância fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Ele sustenta a infraestrutura, gera empregos, movimenta cadeias produtivas inteiras e está diretamente ligado ao crescimento das cidades e da indústria.”
.......Ela também aponta para um futuro marcado por maior rigor regulatório e avanço tecnológico: “Vejo que caminhamos para um cenário com regras mais rigorosas, mais tecnologia nas operações e uma cobrança cada vez maior por práticas sustentáveis e transparentes. E isso é positivo. Significa que a mineração está amadurecendo, se modernizando e assumindo de forma mais clara o seu papel perante a sociedade.”
.......O futuro da mineração de agregados aponta para maior diversidade, inovação e alinhamento com práticas sustentáveis. A presença feminina consolida-se como elemento estratégico e irreversível nesse processo.
.......Nesse contexto, sua atuação segue integrada às pautas contemporâneas: “Pretendo continuar contribuindo integrando jurídico, compliance e sustentabilidade, apoiando decisões responsáveis e ajudando a construir uma mineração cada vez mais segura, ética e alinhada às expectativas da sociedade.”
Mineração e Sociedade
.......A interface entre mineração, sociedade e sustentabilidade também tem sido significativamente impactada pela atuação feminina. Maria Flávia Casali Rossi, Secretária Executiva do Instituto Itaquareia, destaca o papel estratégico de iniciativas que conectam a atividade mineral às demandas sociais.
.......Para Maria Flávia, a atuação feminina contribui diretamente para a construção de soluções mais sustentáveis e duradouras, especialmente em contextos sensíveis. Sua experiência reforça o valor de iniciativas que promovem transformação social concreta: “Projetos ligados à educação ambiental e ao fortalecimento de comunidades sempre me marcaram profundamente, especialmente aqueles em que é possível acompanhar a transformação real na vida das pessoas. Ver crianças e famílias se transformando, crescendo e conquistando outros ambientes, muitas vezes dando continuidade aos projetos independentemente, reforça diariamente o propósito do meu trabalho.”
.......Apesar dos avanços, ela destaca que ainda há desafios estruturais importantes. “Ainda é necessário ampliar o acesso das mulheres às áreas técnicas e operacionais, criando ambientes mais inclusivos e políticas claras de equidade, envolvendo desde processos de recrutamento e formação até a valorização de trajetórias diversas e a criação de referências femininas no setor, capazes de inspirar novas gerações.”
.......Maria Flávia também chama atenção para a necessidade de atuação mais proativa das empresas:
.......O futuro da mineração de agregados aponta para um cenário de maior diversidade, integração e alinhamento com práticas sustentáveis e de responsabilidade social. A presença feminina, cada vez mais expressiva, consolida-se como um vetor estratégico para essa transformação.
.......Ao incorporar diferentes olhares, competências e experiências, o setor amplia sua capacidade de inovação, fortalece sua governança e se aproxima das demandas da sociedade contemporânea. Mais do que uma tendência, trata-se de um caminho irreversível — no qual a diversidade deixa de ser apenas um ideal e passa a ser um elemento estruturante para o desenvolvimento sustentável da mineração de agregados no Brasil.

